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Este é um blog destinado a falar de tarot. Para escrever sobre tarot e suas infinitas possibilidades. Para ler tarot, presencialmente ou online.

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sábado, 11 de agosto de 2012

Sacerdotisa, o silêncio

Cat's Eye Tarot

Por vezes, depois da grande mudança, vem o silêncio.

Assim como depois que a tempestade finda, e os primeiros raios de sol despontam, saímos devagar, com os olhos bem abertos. Em silêncio, avaliamos a volta, fazemos as contas.

No silêncio, nem sempre, está a paz. Mas está a compreensão, isso é certeza. O tempo de acentar em si o que se processou no entorno.

Na quietude, o fundo o mar se movimenta. Está largamente vivo.

Pietra, tácita

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

9 de espadas, num livro

De Claraboia:
"Isaura mordia os pulsos. Tinha o rosto coberto de suor, os cabelos pegados à testa, a boca torcida num espasmo violento. Sentou-se na cama, meteu as mãos pelos cabelos, desvairada, e olhou ao redor. Noite e silêncio. O som do disco falho voltava do abismo do silêncio. Extenuada, deixou-se cair nos colchões. Adriana fez um movimento e continuou a dormir. Aquela indiferença era como uma recriminação. Isaura cobriu a cabeça com o lençol, apesar do calor sufocante. Tapou os olhos com as mãos, como se a noite não fosse escura o suficiente para esconder a sua vergonha."

José Saramago, 1953

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

6 de copas, num livro

De Claraboia:
"As gavetas particulares era, assim, uma espécie de santuário onde cada uma, quando estava sozinha e a saudade apertava, ia rezar sua recordações."

José Saramago, 1953

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Diabo, num livro

De Claraboia:
"Não lhe corria outra reposta que não fosse esta: 'estou cansado'. Tão cansado que, sabendo de todas as portas da sua prisão podiam abrir-se e que tinha a chave que as abria, não dava um passo para a liberdade. Habituara-se de tal modo acesse cansaço que chegava a encontrar nele um prazer, o prazer de quem abdicou, o prazer de quem, vendo chegar a hora da decisão , atrasa o relógio e declara: 'ainda é cedo."

José Saramago, 1953

terça-feira, 7 de agosto de 2012

8 de espadas, num livro

De Claraboia:
"Emílio pensava demais. Em tudo o seu cérebro se prendia. Andava ao redor dos problemas, metia-se neles, afogava-se neles, e, por fim, o seu próprio pensamento era um problema. Esquecia o que mais importava e punha-se à procura de motivos, das razões. A vida corria-lhe ao lado e não atentava nela."

José Saramago, 1953

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sol e Lua, num livro

De Claraboia:
" Isaura sempre gostava daqueles momentos em que, antes de curvar a cabeça sobre a máquina, deixava correr os olhos e o pensamento. A paisagem era sempre igual, mas só a achava monótona nos dias de verão teimosamente azuis e luminosos em que tudo é evidente e definitivo. Uma manhã de nevoeiro como esta, de nevoeiro delgado que não impedia de todo a visão, cobria a cidade com impressões de sonho."

José Saramago, 1953

sábado, 4 de agosto de 2012

Diálogo


Eram feitos da mesma coisa. Ou pelo menos diziam que eram. Os 5, os professores, entendiam-se mestres. Tanto porque sabiam que haviam pessoas olhando a eles como exemplo, quanto porque sentiam o ímpeto de ensinar.

O professor, o ensinante tem de saber que junto a ele existe uma responsabilidade tremenda. Não se desestabiliza o conhecimento de alguém para uma, quiçá, nova construção à toa, de graça. Não. Existe planejamento e intenção.

E foi aí que um olhou para o outro. 
Um que se orgulhava de prender a atenção pela brilho e pelo tamanho - de suas palavras.
O outro, que buscava a força na estrutura...

"Me amem!", gritava um.
"Eu posso fazer torto... isso se faz há séculos. É praticamente uma tradição", continuava.

"Me ouça", dizia o outro. 
"Passei por anos estudando, praticando. Conheço UM caminho", continuava. "Construa... coloque mais pedras na passagem. Consolide-se!"

O professor, o bom professor, quer que seus alunos pensem. E se importam sim se as pessoas o passam. Porque demonstram que conseguem estruturar o que buscam, o que investigam e estão prontos para contribuir à sociedade com suas próprias palavras.

Ser professor não tem muito glamour, per se. Planeja. Escreve. Avalia. Re-escreve. Ajudar as pessoas a efetivamente pensarem é difícil. Pois é sempre a receita que se deseja. 

Um dos mestres, oferece essa receita. "Aqui a tenho!", brada. "Esteja comigo o tempo todo e te garanto a resolução mágica e inexpugnável."

O outro, devolve o raciocínio. "Mas, o que foi que você pensou? Por quê?" e tem um bom jeito de ajudar os colegas... ah, entendi. A diferença é que um dos mestres apenas enxerga os fieis feios sob seus pés. O outro, professor, os percebe como potencialidades, como aqueles que, por um puxão pela mão, chegarão lá.

Tarot é do Mundo, mestres. 
Alguns de vcs, do inferno... do fundo do Tártaro.
Outros, estamos fazendo um caminho antes de chegar em cada Panaceia...

Pietra, com o coração lamentando...