Nei Naiff nos levou um video, um documentário do History Channel contando um tando de como o baralho (de jogar, o comum) foi andando pelo mundo e chegou na Europa, do oriente, com soldados e comerciantes e caiu no gosto do povo... lá para a época de que Gênova era um grande centro comercial - sim, sem Atlântida... Também nos conta dos trunfos, trionfi, que fizeram com que os jogos de tarocchi ficassem mais interessantes. E ali, estavam cenas comuns ao mundo do início da renascença para todas aquelas pessoas... Um tempo quando o Papa tinha uma função muito reconhecida - e quando o cristianismo era preponderante na Europa - e na qual Morte levava MESMO todos - vide peste negra.
E assim, as pessoas se divertiam e as cartas se popularizavam, chegando até a serem proibidas... Imaginem, pessoas, a Igreja entendeu que elas levavam ao vício e que as pessoas produziam menos pq queriam jogar cartas - ah, o que não veio mais pra frente.
Bom, fato é que as coisas estavam ali. E todo mundo, 4 de copas, tinham aquilo por dado. E é aí, que a vida dos símbolos, dos desenhos, ganha um toque... e acredito que seja uma coisa que, hoje seja um tanto mais simples, pois temos mt acesso a quem faz os decks.
Imagino um dia, soldados jogando tarocchi. Do nada, um começa a olhar mais torto para as cartas. Pensa alto:
- Este rei tem 4 braços. Ninguém tem 4 braços. Por que será?
O outro, cerrando os olhos para ver a imagem melhor, responde:
- Nossa. Verdade. De onde será que isso veio.
Um terceiro que passava, ouve a conversa, e esclarece:
- Bom, eu ouvi dizer que no oriente existem mesmo homens que tem 4 braços e estátuas de homens azuis com muitos braços.
O primeiro, animado com a respostas e incitado pelo mistério de uma terra tão distante, logo emenda:
- É mesmo. Talvez esse seja um rei com muitas habilidades, capaz de lidar com muitas coisas...
Nem preciso dizer o que eu quero dizer com isso. As ideias vão longe. Depois de um tempo, quando os arcanos maiores foram ganhando seus símbolos, as conjecturas cresceram mais e mais e assim, se encontram símbolos massônicos, iluminatti, budistas, islâmicos e o que mais desejemos. Por quê?
Oras bolas, porque os símbolos e as representações são dadas a todos os grupos humanos e com o crescer humano no mundo, eles vão ganhando mais e mais significações. Claro que algumas coisas são mais universais, outros, pelas características culturais, ganham nuances. E esses nuances, talvez, se tornem mistérios. Por isso eu sempre penso - e convido:
- O que será que isso (insira arcano maior) significa (significou) para a humanidade?
Conhecer o núcleo do símbolo, pode não matar o mistério, mas mata a especulação psíca...
Quanto aos arcanos menores? Bom, é sempre importante lembrar que estamos lidando com um conjunto que foi feito para jogar, divertir, distrair... como nosso sistema de contagem... 1, 2, 3...
Pietra
Oi Pietra. Você sintetizou com muita propriedade algo que vêm me tirando o sono. Esse lance de símbolo ser universal e junguianismos parecidos não soa bem. Há um processo histórico, há uma construção do símbolo, ele não está pronto, ele é passível de agregamentos e modificações - mas não perde nada. "Sempre adicionar, nunca remover", é um axioma precioso nesse momento. Parabéns pelo texto.
ResponderExcluir