Boas vindas a quem chega!

Este é um blog destinado a falar de tarot. Para escrever sobre tarot e suas infinitas possibilidades. Para ler tarot, presencialmente ou online.

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Um exercício simples de leitura de tarot

A ideia veio do blog da Donnaleigh de La Rose - que palestrou na Confraria esse ano, inclusive. Donnaleigh e um grupo estão fazendo estudos excelentes de baralho Lenormand e fez a proposta de fazer uma leitura de 2 cartas de tarot utilizando a técnica do baralho cigano.
imagem: Donnaleigh de LaRose

Adorei!

Então segue como funciona - 2 cartas:

- Use um deck com imagens grandes e marcantes. De cara penso em Morgan-Greer ou mesmo o RWS. Acho que o Shadowscapes, por exemplo, pode dar uma distraída pela quantidade de detalhes.

- Como toda leitura, tem-se a pergunta, o embaralhar, o concertrar-se.

- Então, do deck saem duas cartas. O pulo do gato aqui é atribuir a cada uma, uma palavra chave.

- Com elas, é possível então fazer a leitura vendo como a primeira carta se relaciona e é modificada pela segunda.

Por exemplo:
O que preciso saber sobre o meu trabalho?
Pagem de Copas + Justiça
Mensagem de cunho emocional + Razão
Diria ao consulente que seria importante que tudo que fosse dito de forma emotiva (seja por mimimi, seja de forma calorosa, seja de forma emocional que for...) deve passar pelo crivo da razão. Deve ser filtrado.

Outro exemplo
Um amigo passa por um momento de luto. Como ajudar?
Lua + ás de ouros
Obscuridade + nascimento
Diria ao consulente que é importante que coloque sempre ao amigo o que existe e está ao seu redor e o que pode nascer nesse novo momento, para que ele não caia em momentos de ilusão e desorientação que o luto pode causar. E não, não é culpa da pessoa... a Morte aparece.

Interessante, não é?

O estudo original está aqui: http://www.divinewhispers.net/apps/blog/entries/show/32685100-how-to-read-tarot-like-the-lenormand


Pietra, experimentando coisas novas...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Aprender de si... com o outro

Uma conversa interessante que aconteceu no 3o. Fórum Nacional de Tarô, em Belo Horizonte, MG, foi uma pegada de autoconhecimento. O quanto de nós aprendemos com o tarot e seu estudo e sua divinação? Muito, sem dúvida. Mas, como dizem nenhum homem é uma ilha. E dificilmente o que
prevemos ou que estudamos está impune do contato com o outro.

Sim, somos um em 6 bilhões e tanto de pessoas e sempre encontramos ressonâncias e dissonâncias entre os que nos cercam. Atitudes de desconhecidos que nos emocionam e tocam. Fazeres daqueles que convivemos geralmente são foco das leituras de tarot... e buscando um entendimento disso, acabamos percebendo as nossas próprias atitudes.

Nos projetamos o tempo todo nas pessoas. E são os movimentos do outro que revelam, por exemplo, um 3 de espadas. Sem dúvida, é um exemplo bastante evidente, mas que vale pensar: se não é a nossa ressonância com as palavras dos outros, seria o nosso coração perfurado?

3 de copas. O que faríamos sem os amigos para celebrar?

O Carro. Elevamos a alma a medida de que trilhamos o caminho reto e disciplinado o qual é cercado de outras pessoas. Atropelamos alguém? Paramos para que o outro passe? O que é o sucesso sem o reconhecimento?

E daí mais 75 exemplos...

Não tem por onde. O aprendizado da vida sempre se dá em relação ao outro. Como conviver bem? Como lidar? O que fazer? Aprendemos sobre nós mesmos porque nos vemos em círculos sociais que depertam escolhas, atitudes. Não sabemos o que damos conta sem o desafio que a vida humana, que o convívio humano prorpociona. Nem haveria parâmetros. Nem haveria quem admirar. Nem haveria quem afastar. Seríamos um lago de águas paradas. Ensimesmados.

Só sabemos quem somos e o que podemos quando temos o outro para interagir. Sozinho, ninguém se supera... se inspira... vive...

Pietra, que acredita na coletividade

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Escolhas apaixonadas

É dado que o tema dos Enamorados é a escolha. Na perspectiva da jornada do Louco, é quando, após aprender sobre autoridade, criatividade, nutrição, fé, chega o momento de tomar a estrada. E escolhido o caminho, vem o Carro e vamos até lá...

Escolha tem sempre um critério. Albus Dumbludore disse: "Lembrem-se, se chegar a hora de terem de escolher o que é certo e o que é fácil (...)". Nem sempre faz-se as melhores escolhas. O cansado pode escolher o que é fácil. Mas é isso que o coração manda?

Quando os Enamorados pulam do tarot, além do idílio, existe a questão de se entregar ao caminho. Uma escolha não é simplesmente tomar uma rota, mas ter paixão por ela. Dizem que o coração quer o que o coração quer. O coração, a intuição, a alma... E quando é ela quem grita conosco, as vozes físicas podem querer gritar mais alto... exercício de futilidade.

As escolhas apaixonadas dos Enamorados são as corretas quando tomadas de coração LEVE. Quaisquer escolhas que fazemos de coração e alma pesadas, não é a da paixão. Pode ser a da obrigação, talvez a do compromisso,  da tentação, talvez a esperada. Mas, mesmo quando escolhemos acordar cedo na segunda-feira para trabalhar por, pelo menos 8 horas no dia, é vital que se faça porque se é apaixonado pelo trabalho. Senão é uma amarra... e aqui mora o Diabo (15 = 1+5 = 6)

A paixão, o calor que move pernas e braços no caminho, é o movimento da alma. Aquela que está crescendo e que sabe por onde ir. Por tratar-se, inclusive, de uma questão muito maior que o indivíduo. 

Por fim, os Enamorados falam do que se pretere, claro. No entanto, quando o preferido é no que se pensa com um sorriso honesto no rosto... ah, a entrega...


"São nossas escolhas que revelam quem realmente somos, muito mais do que nossas qualidades."
Albus Dumbledore
imagem: Paulina Tarot
Pietra, que acredita na leveza dos passos na estrada a frente.

domingo, 1 de setembro de 2013

Divagações sobre o exercício da lunação

Quem acompanha este blog sabe que eu costumo fazer uma leitura pessoal toda lua cheia. É um exercício bastante pessoal que vem se seguindo por muitos anos. Que se tornou mesmo uma tradição.

Esse movimento tem alguns objetivos. O primeiro dele é conhecer e reconhecer arcanos no cotidiano. Um outro, e pelo primeiro, perceber as lições que o mês que a lua aponta têm para ensinar. E por fim, e por mais que se tente escapar, existe um movimento divinatório.

O que é interessante é que na primeira semana, o primeiro arcano maior fica muito marcado... e então, quando chega a lua nova, o arcano maior que guia a lunação se torna tão paupável que se pode cortar com uma faca. Está posto. O arcano se revela para mostrar realmente quem é. Invariavelmente, é o meio da lunação que mostra a que o arcano maior veio.

Para quem não sabe, o exercício é: na lua cheia, ou num momento significativo do mês, chega-se ao tarot e dele tira-se 3 arcanos, com o foco em si e em que lições são para serem aprendidas nesse novo momento: dois arcanos menores - o começo da estrada e o fim da estrada; um arcano maior - a forma de andar por esse caminho.
foto meramente ilustrativa =)

Sem dúvida que é um movimento que acaba causando alguma ansiedade, afinal de contas, quem quer passar UM MÊS com a Torre, por exemplo, no cangote? Mas, as lições são sempre importantes e com elas, tanto vê-se a "praticalidade" de uma carta. E também seus movimentos.

Muitos tarólogos não lêem para si... como médicos não se consultam. Eu acredito que temos um estudo, habilidades e competências e, se não for usada em nosso favor também, perdemos uma chance de praticar e de aprender. Afinal, o tarólogo, o tarologista não é uma pessoa acima do bem e do mal a qual o tarot não atinge pessoalmente. Ele chega, com suas doces copas ou com pesadas espadas. É a consciência do nosso trabalho. Da nossa reflexão. E fazer o exercício pelo MÊS permite que elas sejam digeridas e entendidas. É mais uma experiência que pode ajudar no estudo e nas leituras para outrém.

Essa lunação, de longe, não posso reclamar... Enamorados... e o coração muito, muito leve!

Pietra, seguindo o caminho da Alma da Vontade

PS: uma percepção, inclusive, sobre A Torre é que ela acontece muito rapidamente... e depois que desmorona, eu pego um novo arcano, para lidar com o que foi desfeito. Fica a dica!!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

3o. Fórum Nacional de Tarô - BH

Eu fui! hehehe

Fórum é sempre bacana porque tem uma natureza muito diferente da Confraria. Claro que nos dois tem encontro, conhecer gente nova, bater papo... Mas, a Confraria também tem forte nela o estudo, aprender e ensinar. No Fórum, conversar, ponderar e refletir são as palavras de ordem. E, depois de ouvir bastante, voltei para casa com algumas sementes.

Da primeira mesa que falou sobre a consulta e o quanto do que se vê e fala é destino ou livre-arbítrio... E, sempre, temos várias questões em relação a isso. O que eu penso é que claro que tarot faz previsão e é claro também que podemos tirar orientações e meditações sobre resultados e caminhos. Penso que, em parte, é do "approach"do consulente, da pergunta. Por vezes também, ao fazer a leitura, a previsão é vista, é dada... intuição? Claro. E experiência também. Talvez uma coisa seja perguntar: "O que eu preciso saber sobre ...?" e outra, perguntar: "Qual o melhor caminho para ...?"

Além disso, acredito que existem cartas, combinações e situações estão absolutamente fora do controle, das mãos. Ou alguém quer se enganar que controla a Roda da Fortuna? Podemos, sempre, aprender a lidar com ela, com o que acontece e fazer passagens de forma mais fácil ou mais difícil, mas é como querer segurar a engrenagem do tempo - ha ha

Outra questão interessante ao qual eu fiquei pensando... será que, quando tiramos uma carta numa leitura, não nos colocamos tanto dentro daquela energia que seja por destino ou seja pelas nossas ações frente àquele arquétipo coletivo, deixamos que se manifeste? Ou ainda, nos inclinamos na mesma direção da leitura, porque o tarot está introjetado dentro da gente?

Eu penso nisso, principalmente, porque eu acredito em ler para si e o faço todo mês. Será que não é o entregar-se ao arcano que desponta?

Da segunda mesa, eu continuo trabalhando o tarot pelos símbolos... e acho importante que cada um tenha a sua linha muito clara... porque é isso que faz o trabalho consistente. Diferente entre os tarólogos, mas se não for embasado...

Da terceira mesa, uma coisa me pegou mt: o cuidado com o consulente. Não que não seja uma prática. Mas será que não deixamos, antes de começar a leitura, julgar as pessoas pelos seus motivos para a consulta? Sem dúvida que, conhecendo e buscando, vamos nos envolvendo e querendo fazer a coisa acontecer... mas o quanto do nosso mundo não nos distancia do consulente nos primeiros 2 minutos? Ai ai ai...

Ah, e ainda tem a coisa do autoconhecimento... que eu prometo que vou falar mais em um posting próximo, por que eu sim, acredito que o conhecimento de si só se dá na vida em relação aos outros. Ao que o outro provoca, suscita em cada um de nós. "Homem, conhece aos Deuses para conhecer-te a ti mesmo". Sempre a uma relação com o que está fora. Superior ou mediano.

Por fim, deixo as sementes, alguns pensamentos meus e queria muito fazer um outro encontro de tarólogos logo... gosto de falar tarot! Minha segunda língua!

Pietra, taróloga sim, obrigada =)

domingo, 11 de agosto de 2013

8 - 2 = 6 de espadas

8 de espadas

É o pensamento que prostra. E se coloca perto do chão. Tantos, pensamentos que podem pesar de forma com que não sai de um ciclo. Vicioso. Doente. Corpo que se prende. Mente que se afoga.

Então, retira-se...

- 2 de espadas
O duelo dos pensamentos. Se cada uma das duas espadas, o conflito, aqueles pensamentos que se batem são separados ou retirados da equação...

Chega-se
= 6 de espadas
A uma passagem mais racional sobre os sentimentos turbulentos. Seguir em frente.

Para libertar-se de uma prisão de pensamentos é necessário retirar aqueles que geram a dor e o conflito mental. Assim, segue-se, mais racionalmente. Toca-se em frente.


Pietra, espadachim

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sobrescrito roxo - arcano 13

Quem leu "As intermitências da morte" de José Saramago sabe que a morte resolveu, depois de um período de greve, mandar à pessoas sobrescritos roxos com a data de sua morte para que pudessem terminar quaisquer questões que precisassem antes de morrer. - Calma, não se trata de um spoiler.

Refletindo um pouco sobre a carta da Morte, notei que ela tem um movimento muito parecido. Quando ela pinga em uma leitura, quem é do ramo logo pensa: lá vem mudança, transição etc e tal. Quem não é, logo se assusta... muito por conta da ideia que a Morte passa pela dor e pelo luto e por emoções que são de fato muito dolorosas...

E, por mais que nós, tarólogos, tentemos colocar uma cobertura de açúcar sobre a interpretação da carta, o que ela traz é exatamente o que está posto... Aliás, curioso pensar que muito do que está nos símbolos pode ser bastante literal.

Morte tem ritual, tem funeral, tem desapego, tem lágrimas... e tem uma partida. Sempre uma partida. Não sabemos bem para onde... e ainda quando... a questão é que os moribundos passam as fronteiras e se vão. Quem dera, em paz.

O arcano 13 traz, claro, a ideia toda da vida nova... seja em vida ou em morte. A questão é que nem sempre é simples deixar ir... Nosso mundo físico prevê muitas mazelas e dores. Talvez, e isso estou dizendo de forma fria, é observar os rituais. Existem os momentos que nos revoltamos com o que é divino, outras que nele buscamos conforto.

Meu ponto final nessa história toda é que não estamos prontos. Mas ela vem. Gadanha afiada, peito sangrando... E quando vc acha que está matando, ganha um pouco da estocada também.

É uma carta de trocas... dessas de dividir águas.

Pietra, enlutada